Fundamentação:
01 – Buscamos, como escola lassalista, concretizar o objetivo do Instituto: “O fim do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs é proporcionar educação humana e cristã aos jovens, especialmente aos pobres, segundo o ministério que a Igreja lhe confia” (Regras 3).
Para isso, as escolas são organizadas de modo a garantir que todos os que nelas agem sintonizem e se comprometam com essa finalidade.
02 – Anualmente as comunidades educativas lassalistas, levando em conta os desafios do mundo, especialmente dos educandos, as orientações da Igreja e do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, priorizam, no planejamento da Missão Educativa e em sua execução e avaliação, algumas características que identificam de modo significativo a educação lassalista, expressas no IX Capítulo Provincial, número 031:
- excelência acadêmica;
- o sentido de fraternidade e de solidariedade;
- a luta contra a pobreza e as situações de injustiça;
- a formação sólida e abrangente na fé cristã;
- a abertura ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso;
- a iniciação prática ao aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a amar e aprender a ser.
03 – Em fidelidade a La Salle, a educação lassalista tem uma visão cristã do ser humano e da sociedade. Esta visão é colocada como a grande utopia que nos atrai e para a qual, de modo bem orquestrado, caminhamos. É fundamental que, ao integrar a comunidade educativa lassalista, cada família, aluno, cada profissional da educação e funcionário, conheça e aceite colaborar na busca incansável desta utopia.
04 – Cada pessoa, dentro da comunidade educativa, é acolhida em sua inteireza e identidade. Nela recebe apoio e ajuda para, dentro da tarefa específica de uma escola cristã lassalista, desenvolver suas quatro relações fundamentais, que lhe facilitam construir a felicidade para si e para os outros e uma sociedade justa, solidária, fraterna e de paz. Estas relações são as seguintes:
- relação consigo mesmo;
- relação com os outros;
- relação com a natureza;
- relação com Deus.
05 – Na “relação consigo mesmo”, a escola lassalista deseja contribuir para que cada pessoa seja um ser humano equilibrado na compreensão e na posse de si mesmo. Por isso esforça-se por fornecer a cada um o conhecimento progressivo de si mesmo, das próprias potencialidades e limites, nas dimensões biológica, psicológica, social e espiritual. Nesse processo, ela ajuda cada pessoa a ser sujeito de sua própria educação e um eficiente colaborador na educação dos outros. Criada à imagem e semelhança de Deus, mas fragilizada pela condição de pecado, a pessoa, ajudada pela graça e pelo processo educativo cristão, é incentivada a ter vida que, segundo o Evangelho, deve ser vida em plenitude (cf. Jo 10, 10b).
06 – Na “relação com os outros”, a escola lassalista trabalha intensamente as relações humanas de qualidade, marcadas pela fraternidade evangélica. Proporciona experiências de acolhida uns dos outros e do diferente e o cultivo permanente do respeito, da colaboração e da amizade. Possibilita aos educandos o engajamento solidário com os mais necessitados e com a construção de uma sociedade justa e solidária. O mandamento novo de Jesus “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, constitui uma das mais fortes marcas da escola lassalista (cf. Jo 13,34-35).
07 – Na “relação com a natureza”, a escola lassalista trabalha um sadio e construtivo relacionamento com o meio ambiente. Une teoria e prática que ajudam a compreender a absoluta necessidade de preservação e promoção da natureza, indispensável para garantir um desenvolvimento sustentável para a qualidade de vida hoje e para as futuras gerações. Para isso está atenta, sensível e solidária com os movimentos ecológicos nacionais e internacionais.
08 – Na “relação com Deus”, a escola lassalista, dá ênfase à busca do transcendente. A partir de sua especificidade cristã católica, educa a fé, a esperança e a caridade, tendo como ideal o cumprimento dos dois mandamentos maiores: “Amar a Deus sobre todas as coisas”, - o Deus-Pai, revelado por Jesus de Nazaré, a ser glorificado por Jesus, na moção do Espírito Santo - , e “amar o próximo como Jesus nos ama”, acolhendo o outro como irmão/irmã, por causa de Jesus Cristo. Para isso oferece 0000orientações seguras e experiências no cultivo de valores como amor, justiça, solidariedade, vida de oração, diálogo e respeito em relação a todas as outras opções religiosas. Procura sempre, em sua missão educativa cristã, a síntese entre fé e vida, fé e cultura.
09 – A busca do desenvolvimento do educando nestas quatro relações fundamentais do ser humano, à luz do Evangelho, condiciona toda a vida da escola lassalista, todo o seu contexto educativo: as relações humanas, a escolha e o tratamento dos conteúdos das disciplinas escolares, a metodologia a ser utilizada no processo de ensino/aprendizagem, a orientação vocacional e profissional, as atividades esportivas, artísticas, sociais, religiosas e outras.
10 – Os projetos educativos de todas as obras lassalistas devem ter como características, junto com a excelência do ensino/aprendizagem e da cultura geral requerida pelo mundo de hoje:
- O sentido de comunidade e de fraternidade, em face do individualismo e a massificação.
- A luta contra a pobreza e as situações de injustiça.
- A educação para a justiça, a paz, a solidariedade e a tolerância.
- A formação de pessoas livres e ao mesmo tempo justas.
- A contextualização e compromisso com a realidade na qual estão situados (entorno e contexto sócio-econômico-político-cultural e religioso).
11 – A sociedade é vista e concebida, na educação lassalista, como espaço de socialização de dons, talentos, bens simbólicos e bens reais em prol da convivência solidária, fraterna e alegre das pessoas. Neste contexto, é fundamental, no processo educativo lassalista, a compreensão e vivência dos valores da cidadania, os direitos humanos, a participação consciente e crítica na construção, preservação, desenvolvimento e administração do bem-comum, e um engajamento muito especial em favor da promoção educativa dos mais necessitados. O futuro depende do que somos e do que fazemos hoje.
12 – A escola lassalista empenha-se em ajudar a família a procurar os meios para cumprir sua missão de primeiro e principal agente educativo dos filhos, conforme o entendeu S. João Batista de La Salle e a Igreja o confirmou oficialmente no Concílio Vaticano II, no documento Gravissimum Educationis (Sobre a Educação). Para isso considera de grande importância um intercâmbio entre família e escola, visando ao conhecimento mútuo, ao apoio e à melhoria do atendimento das necessidades do educando.
13 – O professor, na escola lassalista, é por vocação um Educador que assume, em comunhão com seus colegas e em sintonia com a proposta educativa lassalista, o seu compromisso profissional baseado em três forças: amor, competência e qualidade. Acolhe a totalidade de seus alunos, com firmeza e ternura, dando especial atenção aos mais necessitados econômica e intelectual e educativamente, e procura responder às exigências do mundo em mudança.
14 – Na escola lassalista, os integrantes dos corpos técnico, administrativo e de serviços gerais são também agentes educativos, pois seus atos e procedimentos exercem influência na formação dos alunos. Da maneira como atendem os pais, os alunos, os professores e os que procuram a escola depende, em grande parte, a imagem social que dela se tem. Para isso, tanto na contratação como ao longo da permanência desses funcionários na escola, os responsáveis pela mesma oferecem-lhes as devidas orientações e providenciam a formação adequada no espírito que anima uma obra lassalista.
15 – Para que a Comunidade Educativa Lassalista possa cumprir bem a sua missão, é importante que todos os seus membros sejam criativamente fiéis a São João Batista de La Salle e atentos aos ‘Sinais dos Tempos’. Para isso interessam-se em conhecer La Salle e suas orientações, bem como o Instituto Lassalista e as orientações dele emanadas. Cabe à Comunidade Educativa plantar esperança no coração das crianças e jovens e proporcionar o necessário para garantir-lhes uma sólida educação humana e cristã. |