Os critérios fundamentais
01 - A realidade provoca sonhos e os sonhos transformam a realidade. Foi assim que aconteceu com São João Batista de La Salle. A realidade de sua época invadiu razão e coração e questionou o seu modo de viver. Olhos de crianças sem escola, empobrecidas e abandonadas, cruzaram os seus. Deste impacto nasceu uma contemplação da qual nasceu um sonho de transformação, o sonho de um mundo melhor para as crianças e os jovens e uma decisão que mudou por completo sua vida e seu compromisso com o Evangelho.
“Atento, pela ação de Deus, ao abandono humano e espiritual dos “filhos dos artesãos e dos pobres”, São João Batista de La Salle consagrou-se à formação de professores inteiramente dedicados à instrução e à educação. Reuniu-os e, com eles, fundou, depois, o Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs” (Regras, 1).
02 - La Salle tomou consciência de que, através da educação humana e cristã, é possível resgatar a "imagem e semelhança de Deus", cuidar dela e torná-la brilhante. Organizou, então, Escolas Cristãs, que buscam este objetivo, a partir da visão de pessoa e sociedade, segundo os critérios do Evangelho. Para estas escolas ele prioriza rigorosa formação dos professores, excelência acadêmica, educação cristã, e lhes dá como uma de suas marcas distintivas as seguintes três grandes dimensões: a Fé, a Fraternidade e o Serviço. E de acordo com estas dimensões enfoca sua missão de ensinar e de educar.
Educação que se fundamenta na Fé
03 - A escola lassalista é uma comunidade que acredita nas pessoas, no potencial que elas têm e acredita em Deus. Pela fé religiosa cristã ela propõe e alimenta o sentido da vida e a missão de cooperar na construção de um mundo novo, fundamentado em Jesus Cristo. Neste sentido a pedagogia lassalista baseia-se na fé e alimenta a fé:
a) fé em Deus. Ele quer a salvação de todos os homens e mulheres;
b) fé na própria pessoa, como filho(a) de Deus, vocacionado(a) à felicidade e dotado(a), por Deus,de potencialidades para construir a felicidade para si e para os outros;
c) fé no processo educativo lassalista, na interação entre as pessoas, na base do amor e da cooperação, que fornece os meios para as pessoas se construírem e construírem uma sociedade justa, fraterna e solidária.
04 - Em coerência com esta opção de fé o Mestre primeiro e principal, na educação lassalista, é Jesus Cristo. Os alunos são os “discípulos”. Os educadores são os "ministros", "embaixadores", "representantes" de Jesus. Ser educador é, na visão de fé, uma vocação e um ministério como o de Jesus Cristo.
05 - Nesta visão na qual Jesus é centro e referência, a escola lassalista é uma Comunidade Educativa cristã, parcela da Igreja que procura viver o Mandamento Maior: amar a Deus sobre todas as coisas e ao Próximo como Jesus nos ama. Tudo o mais é feito em conformidade com este mandamento maior.
Educação que se realiza na Fraternidade
06 - Uma das características fundamentais da educação lassalista é a solidariedade fraterna, segundo o Evangelho. Jesus Cristo nos revelou que Deus é nosso Pai e que, portanto, somos todos irmãos e irmãs entre nós. E para concretizar esta fraternidade, que deve perpassar todas as relações humanas, os objetivos, o método e os conteúdos do processo educativo, a escola lassalista,,
a) Busca profunda integração entre as pessoas e os serviços, impulsionando o verdadeiro espírito e a vivência significativa de fraternidade evangélica.
b) Cria condições para que todos interiorizem e vivenciem o companheirismo, a cooperação, a solidariedade, a disponibilidade, a participação, a partilha, a vivência dos valores evangélicos.
c) Estimula convições interiores, que levam à superação do egoísmo, da competição e da busca dos interesses pessoais; convicções que favorecem atitudes de abertura, acolhida, diálogo e canalizam as energias para o bem estar de todos.
d) Promove o envolvimento e a participação de todos, pessoal e comunitariamente, na transformação evangélica da realidade social.
e) Favorece, com estímulos e meios concretos, o aperfeiçoamento profissional, moral, religioso e lassalista de todos.
07 - A educação para a solidariedade e para a fraternura, se fundamenta no respeito e no amor para com todos os seres. Ela é uma resposta profética à crise nas relações humanas, que perpassa a sociedade capitalista, dominada pelo egoísmo, pela idolatria e pelo consumismo. A educação lasssalista exercita as pessoas no diálogo, no perdão e na cooperação.
08 - A solidariedade, em si, não depende de religião, mas deve receber desta um impulso vital. É um elemento ético de cunho antropológico, portanto, profundamente humano, mas que necessita ser trabalhado ao longo da vida. A solidariedade é um pressuposto para a fraternidade, que é fruto de uma opção de fé. O cristianismo dá uma conotação especial à fraternidade, a partir de Jesus Cristo.
09 - A escola lassalista, a partir de sua opção cristã, assume a fraternidade evangélica, que se fundamenta na revelação trazida por Jesus Cristo: Deus é nosso Pai (Pai Nosso), por causa de Jesus (o Filho de Deus) somos filhos de Deus Pai, e, conseqüentemente irmãos e irmãs entre nós. É vontade de Jesus que sejamos irmãos uns dos outros, como ele o expressa no mandamento novo do Amor entre irmãos e irmãs, na fé.
10 - A fraternidade evangélica é um diferencial importante para os cristãos na sociedade face a todas as demais iniciativas e experiências, que lutam validamente por um mundo justo e solidário, e com as quais os cristãos, respeitando as diferenças procuram fazer parceria.
11 - Na escola lassalista a fraternidade é, ao mesmo tempo, objetivo, conteúdo, e caminho metodológico. E neste propósito os responsáveis pela coordenação geral da escola procuram, permanentemente, estimular estreitamento de laços fraternos em todas as pessoas, em todos os setores em que atuam e interdependência na consecução dos objetivos educacionais da Escola.
12 - Não existe receita pronta para todos os problemas de relacionamentos em relação a Deus, ao próximo, a si mesmo e à natureza, mas há princípios fundamentais que, devidamente respeitados e cumpridos, desencadeiam processos práticos de superação destes problemas. É dever dos agentes responsáveis educacionais – os educadores – elucidar estes princípios e ajudar a criar, cooperativamente, as soluções práticas. Saber ouvir até o fim, com atitude de acolhida e de interesse, o que o outro tem a dizer, e recorrer ao diálogo fraterno é um dos caminhos mais diretos para a solução dos problemas entre as pessoas.
Educação que se efetiva no Serviço
13 - A escola lassalista é uma comunidade educativa que quer:
a) estar a serviço da pessoa humana, para ajudá-la a crescer em todas as suas dimensões; Crescer é olhar e assumir o presente como um dom, um “presente de Deus”; é buscar o futuro com esperança; é aprender com o passado. A Escola La Salle coloca-se a serviço da salvação dos alunos e da nobre causa de possibilitar a libertação e promoção das pessoas, de ajudá-las no desabrochar de suas potencialidade e em sua busca da felicidade.
b) estar a serviço da Igreja, como partícipe de sua missão evangelizadora;
c) estar a serviço da sociedade para ajudá-la a se estruturar e funcionar em benefício do bem comum, particularmente em prol dos pobres..
14 - Por isso, a escola lassalista trabalha, com uma dedicação especial, no desenvolvimento físico, psicológico, social, afetivo, intelectual e espiritual de seus membros. Somente no equilíbrio destas dimensões humanas é possível proporcionar ao homem e à mulher as condições básicas para que se tornem pessoas a serviço felicidade, isto é, da harmonia no relacionamento consigo mesmas, com os outros, com a natureza e com Deus.
15 - O serviço educativo prestado pela escola lassalista busca sempre ser de alta qualidade, a partir especialmente das atitudes dos educadores lassalistas: zelo pela competência humana e profissional, atenção e cuidado com relação às preocupações, angústias, dificuldades e necessidades dos educandos; sintonia com a filosofia educativa da escola, atenção à realidade sempre em mudança do mundo de hoje.
16 - Como parte integrante da atitude de serviço, a escola lassalista se volta com prioridade para os mais pobres, também a que destinada atender a classe privilegiada e dinamiza projetos educativos para os empobrecidos em obras próprias ou em parceria com entidades que os atendem educacionalmente. Nestes projetos ela possibilita o maior envolvimento possível de seus membros, mediante o incentivo a uma espiritualidade missionária e, também, mediante contrato legal de voluntariado. |